segunda-feira, 28 de março de 2011

O analista de sistemas

Um homem anda por uma estrada próxima a uma cidade, quando percebe, a pouca distância, um balão voando baixo. O balonista lhe acena desesperadamente, consegue fazer o balão baixar o máximo possível e lhe grita:

- Ei você, poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e nem sei onde estou. Poderia me dizer onde me encontro?

O outro homem, com muita cortesia, respondeu:

- Mas claro que posso ajudá-lo! Você se encontra em um balão de ar quente, flutuando a uns vinte metros acima da estrada. Está a quarenta graus de latitude norte e a cinqüenta e oito graus de longitude oeste.

O balonista escuta com atenção e depois pergunta-lhe com um sorriso:

- Amigo, você trabalha como analista de sistemas?

- Sim, senhor, ao seu dispor! Como conseguiu adivinhar?

- Porque tudo o que você me disse está perfeito e tecnicamente correto, porém esta informação me é Totalmente inútil, pois continuo perdido.

Será que você não tem uma resposta mais satisfatória?

O analista fica calado por alguns segundos e finalmente pergunta ao balonista:

- E você, não seria por acaso um Gerente?

- Sim, por um acaso sou um gerente. Porque?

- Ah, foi muito fácil! Veja só: Você não sabe onde está e nem para onde vai. Fez uma promessa da qual não tem a mínima idéia de como irá cumprir e ainda por cima espera que outra pessoa resolva o seu problema. Continua exatamente tão perdido quanto antes de me perguntar. Porém, agora, por um estranho motivo, a culpa passou a ser minha...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Laço for in no lazarus

Já faz um tempinho que saiu esse feature, mas eu nem fazia idéia. Talvez mais pessoas não saibam.

Agora já é possível usar o laço for... in no free pascal. Outras alterações previstas para a versão 2.5.x e muito bem vindas é a adição de generics e a nova sintaxe para classes, permitindo class vars e class properties.

Segue abaixo um exemplo do operador for...in usando TStringList e Arrays Dinâmicos.

procedure TForm1.Button1Click(Sender: TObject);
var
   lista: TStringList;
   vetor: array of string;
   s: string;
begin
     lista := TStringList.Create;
     lista.Add('Delphi');
     lista.Add('Lazarus');
     lista.Add('C#');
     lista.Add('Java');
     lista.Add('PHP');

     for s in lista do
         Memo1.Lines.Add(s); //ou showmessage(s)

     SetLength(vetor, 5);
     vetor[0] := 'Laranja';
     vetor[1] := 'Maçã';
     vetor[2] := 'Pera';
     vetor[3] := 'Uva';
     vetor[4] := 'Cajá';

     for s in vetor do
         Memo1.Lines.Add(s); //ou showmessage(s)


end;   

Have fun ;)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Leitura obrigatória sobre strings

A maior facilidade das strings do Delphi em relação ao C e C++ é que elas não são baseadas em operações de "baixo nível" com ponteiros. Elas são facilmente quebradas, concatenadas ou copiadas. No caso das cópias, elas podem ser copiadas com performance pois mantém um contador de referências.

Em comparação com as linguagens interpretadas, gerenciadas e com "coletores de lixo" as strings nessas linguagens não são tão performáticas. Cópias de strings não são cópias de referências, mas da string completa mesmo, sem reference counting. Tratando - se de concatenação de strings então, o .Net Framework, até a versão 2.0, que eu saiba, encorajava o uso de StringBuilder em vez de strings dentro de um loop para montar um relatório ou tabela na web, por exemplo. Isso porque ao se concatenar duas strings o .Net Framework cria uma nova string com o conteúdo das duas, destruindo as outras duas, gerando um overhead.

Imagine quantas operações dentro de um loop não acontecem quando você faz um:

tabela += "<tr><td>" + col1 + "</td> <td>"+ col2+ "</td></tr>";

Só nesse trecho, bobinho e trivial, mas apenas um exemplo, foram concatenados 5 strings. Isso quer dizer que 5 "resultados" foram criados até chegar ao final, e que, duas a duas, de 5 a 10 strings foram marcadas para ser destruídas, pelo menos as constantes, excetuando-se as variáveis col1 e col2.

O simples fato de trocar o conteúdo de uma string gera a destruição da string atual e a criação de outra no .Net. O programador final não percebe isso porque a sintaxe é bastante "amigável" e para strings e loops pequenos realmente parece que o .Net é performático. Isso não acontece no Delphi.

Algumas leituras obrigatórias sobre strings:

Marco Cantu compara as strings do Delphi com outras linguagens, tanto no que tange à sintaxe como à performance. -->  http://blog.marcocantu.com/blog/delphi_super_duper_strings.html

Meu artigo sobre strings --> http://blog.vitorrubio.com.br/2010/08/strings-e-delphi-2010-na-clube-delphi.html

Paper na Embarcadero sobre Unicode --> http://www.embarcadero.com/images/dm/technical-papers/delphi-unicode-migration.pdf

Artigo DrBob sobre strings --> http://www.drbob42.com/examines/examinA7.htm

Artigo na Embarcadero --> http://edn.embarcadero.com/article/38437

O que eu mais gosto é este: breve história sobre as strings no Delphi --> http://www.codexterity.com/delphistrings.htm


Have Fun ;)

quinta-feira, 17 de março de 2011

A linguagem de programação do futuro

         O empenho em analisar a execução dos pontos do programa desafia a capacidade de equalização das condições inegavelmente apropriadas. Podemos já vislumbrar o modo pelo qual a constante divulgação das informações oferece uma interessante oportunidade para verificação das formas de ação. Assim mesmo, o acompanhamento das preferências de consumo cumpre um papel essencial na formulação do fluxo de informações. O que temos que ter sempre em mente é que o comprometimento entre as equipes promove a alavancagem das diversas correntes de pensamento. Pensando mais a longo prazo, a determinação clara de objetivos faz parte de um processo de gerenciamento das novas proposições. 

          Por conseguinte, a expansão dos mercados mundiais obstaculiza a apreciação da importância das condições financeiras e administrativas exigidas. Nunca é demais lembrar o peso e o significado destes problemas, uma vez que a crescente influência da mídia maximiza as possibilidades por conta dos conhecimentos estratégicos para atingir a excelência. Gostaria de enfatizar que a hegemonia do ambiente político representa uma abertura para a melhoria do investimento em reciclagem técnica. Não obstante, o consenso sobre a necessidade de qualificação afeta positivamente a correta previsão das direções preferenciais no sentido do progresso. 

          A prática cotidiana prova que a percepção das dificuldades aponta para a melhoria dos relacionamentos verticais entre as hierarquias.


Fonte: http://padrelevedo.hpg.ig.com.br/lerolero/lerolero.html


























sim, é um post troll ...  

Nunca confie no TIOBE

Em vários posts meus eu mencionei o índice TIOBE para relacionar a popularidade das linguagens. Mas eu não sabia como o índice TIOBE funcionava, achei que ele era sério, baseado em projetos, mas ele é mais furado que o IBOPE, muito mais.

O TIOBE classifica popularidade como número de resultados nos buscadores. Ele parte de vários pressupostos errados.

1) Assume que popularidade é o número de resultados de buscas de uma linguagem em um mecanismo de busca.
2) Assume que todos os buscadores tem o mesmo peso, embora os resultados sejam muito diferentes e o algoritmo também.
3) Não elimina ruidos. Se você pesquisar por java programming encontrará resultados relacionados com uma programação qualquer na ilha de Java, por exemplo.

Além do ruido ser problema, a pesquisa é sempre feita com os termos <linguagem> programming, mas termos diferentes relacionados a uma mesma linguagem podem trazer resultados várias ordens de grandeza maiores ou menores do que <linguagem> programming. Além disso certas linguagens como javascript ou perl as pessoas costumam definir seu trabalho como scripting em vez de programming.

Por favor leia esses artigos: (o derivado e a fonte) http://akitaonrails.com/2008/04/13/off-topic-nunca-confie-no-tiobe

Parei de acreditar que o Java está sempre no topo. Embora muito utilizado e muito bom acredito que tenha outras linguagens que quase empatam com ele, em uma ordem totalmente diferente da TIOBE.

Comecei a ver as estatísticas de linguagens dos projetos do GIT hub. Se o kernel do linux está lá e muitos projetos GPL estão lá também isso torna as medidas um tanto quanto confiáveis. Os resultados são bem diferentes do TIOBE. Mesmo assim ainda posso dizer que não são completamente confiaveis porque essa estatística é baseada em uma amostra viciada: a maioria dos amantes de Ruby também é fã de Git e os amantes do Git, em sua maioria, programam em Ruby, então existem muitos projetos em Ruby no Git Hub, mas existem muitos projetos em outras linguagens que não estão no Git Hub. Com o tempo e o crescimento da popularidade do Git Hub é possível que o índice fique mais apurado. Outro modo de se chegar a esse resultado seria considerar o número de projetos em cada linguagem do sourceforge e do google code também.

Mas como eu sempre digo, REPITO:
1 - a popularidade de uma linguagem nada tem a ver com sua utilidade
2 - a popularidade de uma linguagem não tem nada a ver com a empregabilidade de seu programador
3 - Mesmo Java, Ruby, Delphi ou C# sendo populares ou "modinhas" isso não vai te impedir de estudá-los ou estudar PROLOG caso a necessidade apareça

Uma coisa é certa, um amigo meu me indicou Ruby e eu estou bastante curioso para ver como ele funciona. Por outro lado a vontade de programar para Android está me guiando ao Java.  Conclusão: JRuby :)

Qualquer que seja a linguagem, não vou mais conficar no índice da TIOBE

terça-feira, 15 de março de 2011

GEBRASA nunca mais - sobre e-commerce

Trabalho com e-commerce, mas não farei aqui um post sobre desenvolvimento de e-commerce e sim sobre gerência de e-commerce.

Qual é a principal preocupação do cliente, e a principal dúvida ao comprar em uma loja "online"? A dúvida é sempre a mesma: "será que a empresa vai entregar?"

O pagamento se dá de maneira muito fácil, via cartão de crédito. Mas caso haja algum problema o cliente sabe que o estorno é um inferno. Se o pagamento é intermediado por uma dessas MOIP ou PagSeguro da vida é pior, pois existe mais uma camada intermediária para atravancar o estorno, que pode demorar até 45 dias e fazer com que a empresa simplesmente tome posse de dinheiro seu emprestado, sem juros.

Algumas empresas se confundem ou se enganam na hora de entregar um produto, o que é até aceitável, e entregam o produto errado. Depois demoram muito para devolver o dinheiro ou trocar o produto (Submarino, por exemplo). Mas talvez a demora seja causada pela massa: um volume muito grande de clientes, pedidos, produtos.

Outras empresas fazem a chamada venda de cauda longa: elas vendem um produto mesmo não tendo no estoque, mas É CERTEZA que o produto existe no estoque dos fornecedores, e não está esgotado. Com isso a  empresa pode solicitar o produto do fornecedor sob demanda e mandar despachar para o cliente. É como "just in time".

Um e-commerce nunca, NUNCA deveria fazer venda de cauda longa de algo que depende de fabricante e não de distribuidor, ou seja, de um produto que deva ser FABRICADO. Tampouco deveria fazer venda de cauda longa de um produto sazonal .

Bom, essa bronca é para a GEBRASA, empresa na qual eu NUNCA MAIS COMPRAREI e DESACONSELHO FORTEMENTE.

Comprei um simples hack, um quadrado de madeira (ou coisa que o valha) para colocar meu pc, monitor e impressora, paguei, e não vi a cor até hoje, dois meses depois. Coisa que se eu tivesse comprado numa loja qualquer estaria levando pra casa no mesmo dia.

Se a empresa me mandasse periodicamente um e-mail me posicionando sobre o status do meu pedido, ou ligasse ou mandasse um e-mail se desculpando e mandando um prazo ou oferecendo a devolução do meu dinheiro eu não ficaria nervoso, pois sei que essas coisas acontecem.  Mas a GEBRASA, além de não dar prazo e dizer que não tem previsão de entrega foi estupidamente mal educada no atendimento por e-mail, dizendo simplesmente: "você não leu no site? lá está escrito que há um prazo de 10 dias para verificar a disponibilidade do produto no estoque.". É verdade, mas não se passaram 10 dias, se passaram 58, para ser mais exato.

Como o pagamento foi feito via MOIP, teria que aguardar a MOIP entrar em "disputa" com eles. Não tenho paciência para isso, ficar ouvindo musiquinha em ura...

Perdoem-me meus leitores, eu nunca pronuncio palavras vulgares, de baixo calão e profanidades no meu blog técnico, mas .... pra puta que o pariu com essa merda.

Depois de 4 trocas de e-mails com muita desconsideração e descaso com o cliente entrei no reclame aqui, procon e entrei em contato com a VISA para estorno do meu pagamento, tudo de uma vez. Para a VISA ainda tive que mandar um FAX (o que é isso meu Deus? Falando a verdade, nunca tinha usado um desses antes....) enorme cheio de firulas e burocracias.

Espero sinceramente que a GEBRASA feche as portas da maneira mais humilhante possível. No mais, desculpem-me pelo desabafo, prometo que o próximo post será tech, com certeza.

segunda-feira, 14 de março de 2011

madShi collection


Saiu na revista Clube Delphi 127 meu artigo sobre a madShi Collection, uma coleção de bibliotecas muito úteis e interessante. Elas vão além do basicão fornecendo aos programadores funcionalidades bastante inusitadas, como api hooking, e funcionalidades que são uma mão na roda na hora de distribuir seu software ou na hora de encontrar bugs persistentes. O madExcept é um gerenciador de exceções que automaticamente gera um log com nome da unit e até a linha do código que disparou o erro. Seu usuário pode simplesmente clicar em um botão para te enviar o relatório de erros.

Espero que gostem do artigo. Boa leitura :)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Dicas de Inglês

O inglês é essencial para programadores. Ponto. Não importa o pais em que você esteja, o inglês é o esperanto que deu certo, pelo menos nessa nossa era.

O site Tecla Sap tem muitas dicas interessantes para quem já cursa inglês mas quer sanar dúvidas, pegar dicas ou aprimorar seus conhecimentos.

Peguei essa dica hoje no site: Palavras com "L" mudo. Acontece também com outras letras, por isso muita atenção à pronúncia. Ensaie a pronúncia em diálogos reais.


  • ALMS /aams/
  • Esmola
  • BALM /baam/
  • Bálsamo
  • CALM /kaam/
  • Calmo
  • COULD /kud/
  • Passado do verbo auxiliar “CAN” (poder)
  • HALF /héf/
  • Metade
  • PALM /paam/
  • Palma; palmeira; palm
  • PSALM /saam/
  • Salmo
  • SALMON /SÉ m@n/
  • Salmão
  • SHOULD /shud/
  • Deveria (verbo auxiliar)
  • SOLDER /SÓ d@r/
  • Solda
  • TALK /tók/
  • Conversar
  • WALK /wók/
  • Andar
  • WOULD /wud/
  • Verbo auxiliar usado no condicional
  • I’ll have the salmon, please.
  • Vou querer o salmão, por favor.
  • Aluminum is also very difficult to solder. (Chicago Tribune)
  • É muito difícil soldar alumínio também.

terça-feira, 1 de março de 2011

Qual o problema dos Anglicismos?

Muitas pessoas respeitáveis, lingüistas, professores, mestres, doutores em geral criticam o uso de anglicismos no dia-a-dia, quer como gírias quer como jargões de profissões emergentes.

Na área de Ciência da Computação, Ciência da Informação e outras áreas correlatas há a tendência de mestres e doutores renomados ter uma aversão a novos anglicismos(relacionados a novas tecnologias) propondo seus correspondentes em português.

Mas pense: se para designar nomes de seres vivos na Biologia (taxonomia) usa-se o latim, usando-se também na designação de vários termos jurídicos, mundialmente. Além disso usa-se palavras latinas ou gregas para vários termos técnicos da Química, Física, Matemática e Linguística porque não usar o Inglês para as Ciências da Computação e da Informação?

Matemática, Biologia, Química, Física e Direito são ciências que começaram a ser estudadas desde os primórdios da humanidade, atravessando a época em que o Grego e o Latim foram as línguas mundialmente predominantes e continuam sendo usadas após a "morte" dessas línguas. Optou-se, por padrões e convenções internacionais, usar por exemplo o Latim no Direito e na Biologia. Porque não usar o Inglês para as Ciências da Computação e da Informação? Tenho alguns motivos pra isso:

1) São ciências novas, que começaram a ser estudadas e desenvolvidas desde a década de 1950 para cá.
2) A maioria (mas não todas) das contribuições para essas ciências veio indiscutivelmente de países de língua inglesa.
3) Torno a dizer que o inglês é a língua predominante e mundialmente conhecida hoje, por isso nada mais justo do que ser usada para cunhar os nomes de novos termos e jargões de ciências também contemporâneas.
4) Lembre-se que um anglicismo para designar uma nova tecnologia também é um neologismo em seu país de origem, pois é um novo uso para uma palavra antiga, ou uma junção de palavras.

Concordo plenamente que palavras existentes no nosso português não devem ser substituidas por seus equivalentes em inglês. É o caso de performance em detrimento de desempenho ou acurácia em detrimento de exatidão. Mas dependendo da palavra isso se faz necessário, um exemplo:

Em inglês dá-se o nome de "framework" para um conjunto sólido e grande bibliotecas, exemplos, padrões e  partes ou componentes de software pré montado para a elaboração rápida de outros softwares. Alguns tradutores traduzem framework como biblioteca, moldura, estrutura etc ... quando  na verdade a palavra que mais se aproxima do significado de framework é "arcabouço", palavra pouco usada até mesmo por engenheiros civis.

Mas é simplesmente uma arrogância ou prepotência, um orgulho besta, países de língua portuguesa e doutores em diversas ciências querer designar sites por sítios (eu não planto abobrinhas nem crio vacas em meu site), mouse por rato e por aí vamos. Por acaso você usa viamole ou meiomole para software e meioduro ou "ferragens" para hardware? Dificilmente.

Outro motivo pelo qual eu não sou avesso a anglicismos é o seguinte: a língua é viva. Ela muda com o tempo, espontaneamente ou por absorção / cruzamento com outras línguas. Se não impedimos que certos animais ou vegetais absorvam características genéticas de outros ao se fazer cruzamentos e enxertos, muito pelo contrário, tentamos e encorajamos propositalmente isso, porque seria diferente com a língua? Nossa língua já poderia sofrer uma mutação só pelo isolamento geográfico de Portugal (é uma boa distância e um bom trecho de oceano no meio). Que dizer então das influências (cruzamentos) com as línguas indígenas, africanas, o francês, o holandês, o italiano que vaio depois etc ... Nossa língua é um ser vivo, vira - lata que seja, só nosso.

Tolkien era linguista e filólogo. Em seu trabalho ele criou todo um mundo, uma nação e uma língua. Na sua obra literária ele demonstra como o isolamento e os choques de cultura podem criar novas línguas, e usou suas histórias para embasar suas pesquisas. Nas suas histórias, desde O Silmarillion até o Senhor dos Anéis, essa nação e língua se divide em várias partes. Os Elfos primeiramente fogem da Terra Média para Valinor, no continente sagrado de Arda. Mas alguns Elfos permanecem na Terra Média. O isolamento geográfico dos dois grupos, por milênios, criou na Terra Média uma segunda língua, um dialeto. Os elfos então tinha duas línguas, o Quenya e o Sindarin. Parte do povo de Valinor, após séculos, voltou para a Terra Média. Lá encontraram duas novas raças, os Anões e os Homens. As duas Línguas sofreram mais fusões e divisões. Os meio-elfos foram para Númenor, ilha criada posteriormente pelos Deuses entre Valinor e a Terra Média. Mais tarde as línguas dos homens também sofreram mutações e divisões, uma vez que o homem mortal, por ter vida muito mais curta do que os elfos, era mais suscetível ao isolamento geográfico e social.

Não é exatamente isso que aconteceu na história de todas as línguas ao redor do mundo? Será que não tem influências da língua portuguesa em outras línguas, por exemplo o Japonês?

Esta é uma citação de Tolkien que eu considero interessante e verdadeira:


Cquote1.svgVolapuqueEsperanto, o Ido, o Novial, são línguas mortas, mais mortas do que antigas línguas sem uso, porque seus inventores jamais criaram lendas para acompanhá-las. 
Cquote2.svg

Uma língua precisa ser embasada em uma história e cultura. Se uma língua for artificial ela deve ser embasada em histórias e culturas artificiais, senão ela já nasce morta. Parte desta "vida" ou desta "cultura" da língua se deve a fusões com outras línguas e as confusões e desentendimentos que isso pode causar.

Gostaria até de citar esse twit  do dublador Nelson Machado, de quem sou fã e admiro muito o trabalho: (a própria palavra é um anglicismo)


Nós tínhamos o formal e responsável TRABALHO. Criamos o informal e libertário TRAMPO. Agora vivemos com o submisso JOB!!! Êêê, povinho!
Lógico que não conheço o contexto desse tweet, muito menos o que gerou a crítica. Mas é apenas um exemplo.

Ora, porquê submissão? O "job" é o trabalho do freelance. Se o nome de sua profissão é um anglicismo e a culpa nem é sua, porque o nome de parte do seu trabalho deveria ser diferente? Job pode ser também uma etapa de uma sequência de etapas de um programa que rode vários comandos em lote.

Terei que discordar (não confunda com descordar) um pouco do Machado. Não sei se o caso é submissão, mas analise os seguintes fatos:

1) Encare o Inglês como o esperanto que deu certo e você vai entender as próximas enumerações:
2) Job é mais curto, podendo ser melhor inserido em uma mensagem de 140 caracteres, seja ela um "torpedo" de celular ou uma "micropostagem" de um "microblog". Se a maioria das pessoas conhecesse chinês e o tivesse como sua segunda língua, ou seja, se o chinês assumisse o papel do que o inglês é hoje, aposto que a pessoa em questão, numa mensagem de texto, preferiria usar (??) que só tem 2 caracteres do que job que tem três ou trabalho que tem 8. Não sei como se pronuncia (??) usei o google translator. Aposto que isso pode ser comum nas regiões fronteiriças entre a China e outros países, ou em países colonizados pela China.
3) O uso de anglicismos como gíria na linguagem falada, desconsiderando-se o uso em sites e celulares e  levando em consideração sociologia e psicologia, serve como identificação de um grupo: O grupo que sabe o que é e usa a palavra "Job" em detrimento de quem não usa. Pode parecer simplista, mas as pessoas que moram na extrema zona leste de São Paulo dizem a palavra "suave" a cada 3 ou 4 outras palavras, e "suave" como gíria, assume uma gama muito grande de significados e nuanças que variam de acordo com a entonação de voz e o contexto. Pode significar desde um "fácil" até uma pergunta "tudo bem?" (suave?).
4) Não defendo o uso de gírias e nem afirmo que ela faz parte (ou deva fazer parte) da lingua culta, mas, conforme os estudos de muitos linguistas e o legado que Tolkien deixou, as línguas são vivas e sofrem "mutações" expontâneas conforme o tempo passa. O isolamento de um grupo de outro grupo pode acelerar o processo de diferenciação das línguas. Por acaso existe maior isolamento do que  o isolamento social que ocorre dentro de uma cidade, onde alguns tem acesso a um ensino de qualidade e línguas estrangeiras enquanto que outros, que já estão semi-isolados geograficamente, não tem acesso ao ensino básico? É por isso que a linguagem sofre tantas mudanças mesmo dentro de uma mesma cidade, variando de bairro para bairro.

Repito: Será que não tem influências da língua portuguesa em outras línguas, por exemplo o Japonês? Não seria submissão então do povo Japonês aos portugueses? Creio que não.

E por falar em submissão, não seria uma submissão de mais de 500 anos nós continuarmos falando português? Aliás, parando para pensar melhor, quem disse que falamos português?
Se você conversar com pessoas do Cabo Verde, Angola ou Guiné Bissau você verá que, salvo alguns regionalismos e palavras próprias, a língua em geral, sonoridade das palavras, consoantes e vogais é muito mais parecida com o português de Portugal do que o é nosso português brasileiro. Nossa língua portuguesa está muito distante do português de Portugal. Além da influência de outras linguas, africanas, indigenas e saxônicas (tivemos aqui alemães e holandeses também)
nosso isolamento foi maior. Não só o isolamento geográfico foi maior, como o isolamento intelectual também. Por séculos falamos português por aqui tendo poucos ou nenhum professor de português decente.
Você pode ver isso na prática, num exemplo até simplório, como abolimos os pronomes "Tu" e "Vós" enquanto que eles ainda são usados nos outros países que se fala Português.

Isso não é evidente só no português. O inglês americano, o qual estudamos e adotamos como "esperanto que deu certo", é muito diferente do inglês da Inglaterra, do Canadá, da Austrália etc... mesmo assim não parece ser tão diferente quanto o português do Brasil é dos outros "portugueses". O mesmo se dá com o espanhol.

O que tudo isso tem a ver com o blog? Linguagens de programação também são estudadas por linguistas e vice-versa. É uma área interdisciplinar e multidisciplinar. Linguagens de programação são línguas artificiais, com verbos predominantemente no imperativo, e formais, sem ambiguidades. Pode-se dizer que as linguagens de programação estão mais vivas que um esperanto, por assim dizer, porque são amplamente usadas no dia a  dia de muitos profissionais e elas têm história: você sabe que o C é pai do C++, avô do Java e bisavô do C#. Você sabe que Oxygene é um filho bastardo do C# com o Object Pascal ... e por aí vai.

Antes de criticar anglicismos vamos analisar um pouco os fatos.  Anglicismos vão ocorrer, quer sejam coibidos quer não.

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